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outubro 24, 2008

GUETO

É engraçado como os valores de uma pessoa (no caso eu!) mudam com o passar dos tempos! Antes eu acharia impropriedades nessa palavra GUETO! No entanto, resolvi dar-lhe uma segunda chance. Eu sempre fui cosmopolita em todos os sentidos, isto é, sempre tive uma visão ampla e aberta pra tudo, os assuntos mais variados que possa existir, mas depois de alguns anos comecei a achar o lado de fora do gueto um tanto sem graça e por que não dizer, feio mesmo, naquilo em que o conceito de feio mexe comigo, não o padrão estético, por que esse depende de quem vê e sim a “feiúra” d´alma, o chamado espírito de porco! Explico, ando em baixa com minha profissão, o meu público não é nem de longe e de perto menos ainda, respeitoso, ando cansada de dar murros em ponta de faca e nó em pingo d´água, e sem nenhuma hipocresia ou jogo do contente a tendência é ficar cada vez pior. Então pelo menos na minha mente fantasiosa eu quero um GUETO só pra mim, onde o céu seja de brigadeiro e as pessoas sejam realmente lindas, mesmo sendo feias. A falta de respeito pode matar tudo em mim, só não vai matar o desejo que tenho em acordar todos os dias e querer me realizar, fazer algo de útil para humanidade, pra mim e para os que estão dento do meu Gueto. Sigamos o Poeta: DAS UTOPIAS
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!
Mario Quintana - Espelho Mágico POEMINHO DO CONTRA
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
Mario Quintana
DA OBSERVAÇÃO Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio... Mario Quintana - Espelho Mágico "Quero, um dia, dizer às pessoas que nada foi em vão...Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim e que eu sempre dei o melhor de mim...e que valeu a pena." Mário Quintana.

julho 29, 2008

Cheirinho de Terra Molhada

Eu estou sempre esperando a Mariana chegar e sentar-se ao meu lado e como quem passa uma carta boa, ela me deixa ver o que de tão belo desenhou na escola...Seus desenhos tem algo de mágico e delicado, o traço suave, as cores fortes. Totalmente diferente da mãe que apresenta uma inclinação fortíssima para os tons pastéis! Mas o encantamento não termina aí, pois observar seus gestos são de um prazer quase imensurável, os cabelos levemente encaracolados, o sorrisão iluminado, a ternura e o cheirinho do abraço bem apertado e do beijo de Borboleta...quase posso ver seus olhos translúcidos de um caramelado que derretem qualquer olhar gélido, me faz ter sempre a certeza de que essa cena , mesmo que corriqueira, terá o frescor de um novo encontro a cada dia. O dom encantador da Mariana foi herdado do Vinicius, que em matéria de encantamentos não me deixa dúvidas de que a vida ao seu lado foi a melhor das decisões. Todos os dias repetimos palavras, gestos, toques que só realçam o tipo de amor que buscamos e que tentamos passar pra doce Mariana. O cotidiano? Sim, ele existe, mas não nos sufoca... Pelo contrário nos deixa mais ternos uns com os outros. O cotidiano, aliás, depende muito do campo de visão e das cores com as quais presenteamos as pessoas que amamos e isso, essa visão, eu devo ao Vinícius... Quando eu acaricio de leve os seus cabelos, sempre recebo um abraço forte, porém delicado, se é que palavras tão opostas podem caminhar juntas com tamanha intensidade e desejo, que, servem muito bem para somar-se a palavra Amor. A Mariana sempre foi tranqüila, mas muito dada às amizades e principalmente as amizades familiares. Uma vez por ano temos de nos juntar aos meus queridos Mário e Fábia e a pequena Lili... A Mariana e a Lili, tem tantos assuntos quanto os meus e da Fábia...Muito boa a sensação de vê-las correndo pelas alamedas do jardim enquanto cai uma leve chuva, deixando exalar um cheirinho de terra molhada e do quanto é bom falar do amor que sentimos e das experiências de nossas pequenas Bonecas...Enquanto o Mário e o Vinícius, relembram nossas últimas férias na casa do Tom e conversam em prosa, e versam, entrelaçando nossas vidas ao cheiro inconfundível das roseiras no quintal. Tom Jobim Olha Está chovendo na roseira Que só dá rosa mas não cheira A frescura das gotas úmidas Que é de Betinho, que é de Paulinho, que é de João Que é de ninguém! Pétalas de rosa carregadas pelo vento Um amor tão puro carregou meu pensamento Olha, um tico-tico mora ao lado E passeando no molhado Adivinhou a primavera Olha, que chuva boa, prazenteira Que vem molhar minha roseira Chuva boa, criadeira Que molha a terra, que enche o rio, que lava o céu Que traz o azul! Olha, o jasmineiro está florido E o riachinho de água esperta Se lança embaixo do rio de águas calmas Ahh, você é de ninguém!

abril 07, 2008

A Chegada da “Nova” Corte

O Brasil tava a perigo, praticamente suas divisas culturais estavam, quase todas caindo pelo ralo, quando mandaram vir uma rapaziada da pesada, digo uma corte luxuosa, com arranjadores, poetas, músicos, cantores, compositores, enfim, uma galera massa. Onde eles desembarcaram? Bom, como quase tudo culturalmente estabelecido, reflete-se no Rio de Janeiro; foi lá que a Nau chegou! Diz à lenda que a corte chegou, mais ou menos em meados de 1983, sério? É, foi nessa data mesmo, que na minha modesta opinião “apareceu” a melhor VOZ da Corte!No entanto a VOZ só seria conhecida muito tempo depois. Desembarcou da nau uma galera generosa e bem profissional que já vinha rodando as praças culturais há muito tempo e que, na bagagem traziam muito Chorinho, Sambas e Músicas de harmonias sofisticadas. E eu onde estava nessa hora? Provavelmente, ocupadíssima, preparando alguma prova científica para algum aluno desavisado, mas da janela do meu sobrado, vislumbrei as peças raras chegando! Bom, em primeiro plano, eu vislumbrei a mãe de todos: a Rainha Cristina das Holandas e seu irmão, o Príncipe Paulinho com uma linda Viola. E lógico que essa família muito animada, chegou ao lado de seus fidalgos: os Duques Maurício, a Condessa Luciana que logo trataram de encomendar uma linda morada para a filharada da Rainha, uma certa escola para que as crianças pudessem se formar, batizada de Escola Portátil de Música e o estrategista Naval, o Senhor: Paulo César de terras dos Pinheiros, batendo forte no juízo musical dessa gurizada, pronto! Estava estabelecida a era dos arrojos musicais. Claro, não se iludam, eles tiveram muito trabalho depois de aportar por essas terras de Santa Cruz! Os nativos se debatiam em rituais hipnóticos de péssima condição sonora, que aos meus tímpanos, parecia a sucursal do inferno! Eu, que já convivia com essa corte desde muito tempo, (sempre ouvi suas histórias além mar), achava que sempre se podia dar uma forçinha pros proletários inocentes que viviam tão somente de bater cabeça. Mas, ora por outra eu desanimava, era como se ninguém da minha idade ou próxima a ela, gostasse do mesmo gosto que eu. Eu sabia, e sentia a necessidade de gente nova gostando de coisas “velhas”, porém atuais. Mas eu não tinha e nem tenho contato direto com a Corte mais madura, só filosoficamente, o que não bastaria para tanto, trocar idéias quero dizer. Foi então, que os filhos da Rainha Cristina, cresceram e para meu espanto, gostavam das mesmas coisas que eu, e ainda se reuniam para enfeitar as tardes de Domingo, na ilha de Paquetá bem em frente a um Terreiro Grande, além disso, seus filhos começaram a aventurar-se na Terra de Santa Cruz, cantando nas tabernas ou na Praça de São Sebastião. “Seus filhos erravam cegos pelos continentes levavam pedras como penitentes, erguendo estranhas catedrais” daí notei que o ciclo das coisas realmente são verdadeiros. Comecei a prestar a maior atenção em nomes como: Gabriela, Muiza, Manu, Luis, Edu, enfim foram vários filhos da Corte (se vocês sentirem necessidade de se informar mais, favor linkar os spaces, ouvir e descobrir a vontade ;D), e que se modernizaram e se juntaram para dar alívio a essa gente! Novas tecnologias foram aplicadas às técnicas vocais e instrumentais dessa filharada, modernos sistemas de comunicação foram elaborados e com alguns deles podemos até encontrar ecos das nossas angústias e vez por outra trocar idéias, “e eu tão descrente desse mundo, descobri o que é felicidade, meu amor”. Segue abaixo, alguns links para que vocês possam ter a mesma sensação de plenitude e continuidade que eu tenho: Gabriela Buarque: http://www.myspace.com/gabrielabuarque (A VOZ, a partir do momento em que eu a descobri, passou a ser a minha Cantora Favorita) Muiza Adnet: http://www.myspace.com/muizaadnet Manu Santos: http://www.myspace.com/manusantoss Luis Barcelos: http://www.myspace.com/bandolimluisbarcelos Edu Kneip: http://www.myspace.com/edukneip
Escola Portátil de Música: http://www.escolaportatil.com.br/
Terreiro Grande ou uma Reunião de Amigos: http://www.terreiro-grande.blogspot.com

janeiro 25, 2008

Na Primeira Pessoa :P

Sempre tentei fugir dessa característica, narrar os fatos, causos e tals na primeira pessoa, obvio que nunca consegui, até mesmo pra contar uma situação, tenho de inventar uma personagem, pois só dessa forma me sinto a vontade para narrar o ocorrido. Tormento este, que me rendia alguns probleminhas no tempo de colégio, pois o professor de Redação, pegava no meu pé, o danado tinha verve de escritor e queria que eu exercitasse todas as pessoas do discurso. Era esse “louco” também, que nos fazia enxergar um mundo novo, porque mais do que ler, ele nos fazia escrever, e muitas vezes, burlava até as regras da escola, nos passando literatura contrária ao perfil, então vigente na escola... E claro, que também, ele fazia com que nós caprichássemos no vocabulário, isso sem contar as histórias sem pé nem cabeça, mas ele achava o máximo e nos incentivava, além de insistir que tínhamos de fazer teatro, artes plásticas e tal. Talvez, por isso, decidi escrever num Blog, por que dizem que é o melhor lugar pra se falar de si mesmo rsrs, não chego a ser tímida, mais não sou nenhuma exibicionista e sinceramente nunca gostei de entrar em um local e ser olhada; sempre gostei de entrar e sair sem ser percebida, por que mais do que escrever eu gosto é de observar ;) Tempos depois revisitei esse professor no filme Sociedade dos Poetas Mortos e um pouco no Sorriso de Monalisa, filmes maravilhosos que mostrava toda a importância das relações sociais e humanas e o quanto se interessar por gente e praticamente, “construí-los” é lindo. Claro, depois ele acabou se interessando, se conformando e aceitando minha narrativa do jeito que era. Seu nome? Por incrível que pareça, chamava-se Vinicius de Morais (não o Poeta), mas com certeza, um grande Camarada.

setembro 30, 2007

Poetas Camaradas ;)

E-mail de Adélia para Vinícius de Morais Oi Poetinha, como estão às coisas por aí? Aqui na Terra, muita mudança, aquela boemia sadia do seu tempo de banquinho e violão andam esquecidos, ou melhor, confinados aos interiores das casas dos amigos. A selvageria anda imperando, mas, Poeta deixe as lembranças fatídicas para um outro momento. Acho que você ficaria muito satisfeito com as relações humanas, lógico aquelas que valem à pena! Sabe Poeta, o Lulu (Santos) tava enganado ele não era “o último romântico dos litorais desse oceano Atlântico”, conheço muita gente romântica, amigos que pensam e repensam os sentimentos, que tentam “fazer tudo certo”, que “nunca erram o mesmo erro”, literalmente ainda há espaço pra esse tipo de personalidade leal e afetiva. Imagine Poeta, aquela mulher ideal que toma conta da casa e do amado, que passa horas no telefone, que procura e descobre novas poesias, e quem sabe acabe encontrando e reinventando as suas Poesias. Isso tudo em contraponto com a correria, a auto afirmação profissional, a sustentação de uma família e quem sabe de toda uma vida de aventuras e desventuras... E a gente vai vivendo Poeta, “que seja infinito em quanto dure” né mesmo? Como disse, você ficaria orgulhoso de sentar num bar e rever aquelas imagens da “moça do corpo dourado, do Sol de Ipanema, o seu balançado é mais que um poema, é a coisa mais linda que eu já vi passar”... É Poeta algumas coisas na vida só melhoram com o tempo, ainda bem que você e outros colegas seus também nos brindaram com verdadeiros dicionários amorosos, pois não conheço ninguém que em algum momento da vida não tenha recorrido a vocês, sábios mestres... E não importa se vocês não estão aqui nesse momento, às obras são infinitas, as gerações se reinventam e “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. P. S. Diga ao Tom que estou com saudades e que se ele puder, mande um alô ;) Beijos mil para você, saudades J Resposta ;) \o/ J E-mail do Poetinha para Adélia ;) Adélhinha, que bom ter notícias de vocês aí na Terra, as saudades são muitas e de muita gente! Mas estou bem, na verdade estou sempre de olho nos apaixonados, iluminando a todos com minhas bênçãos e votos de felicidade. Saudades dos meus parceirinhos, do banquinho, do violão, da cerva gelada, do meu wiskinho e do balanço a caminho do mar. Fico feliz em saber que as musas que eu cantei tão bem – as mulheres brasileiras – estão conservando o cuidado com o amado e as coisas do lar, além de suas tantas habilidades. Por isso repito pra você: quem já passou por essa vida e não viveu pode ser mais, mas sabe menos do que eu! O Tomzinho está tocando muito por aqui, você sabe como ele é vive nas nuvens, cantando com os passarinhos e falando bastante também sobre Ecologia, uma coisa linda... Ele gosta muito quando você escuta wave, pois sempre diz: “wave, de novo! Que bom ela não cansa de mim ;) Diga a todos os românticos que conhecer que o amor ainda é a melhor forma de viver e sempre será necessário viver um grande amor, pois quem não viver um grande amor nunca vai ter nada não ;) Do amigo Poetinha, Camarada. P.S. Gente esse singelo "E-mail" fictício é pra acalmar meus pensamentos férteis e lógico matar a saudade que eu tenho do Vinícius e do Tom, que apesar de não tê-los conhecido nessa vida, sinto-os muito próximos a mim, e acho até que os conheço sim, pois os Poetas são a extensão densa, apaixonada e visceral dos seus poemas.