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outubro 13, 2008

Vamos fazer um Filme! (Começa a Aventura!)

Entre a Paraíba e o rio Grande do Norte, dia causticante, sol a pino. O jipe que eu e o Pedro conseguimos desenrolar com nossas poucas economias de professores só deu mesmo pra remediar o imperfeito, melhor que lombo de jegue!!

O plano de inicio é percorrer as pequenas cidades do interior da Paraíba (terra de cabra macho), descobrindo os personagens pitorescos desses locais lógico, se o dinheiro der, pois estamos sem Patrocínio! O que buscamos é traçar uma história de vida dessas pessoas (faixa etária de 50 a 60 anos) e entender o que aconteceu nesses quase 20 anos de causos sertanejos.

Na estrada, uma porção de bois, vacas e cabras que em nada, nem com a poderosa buzina do jipe, abrem para ver nossa empreitada, num canto da cerca um caboclo diz:

“Dá jeito não dona, pode buzinar até de manhã...os bicho aqui gosta de som de automóvi...tranquera esses bicho!” Fazer o que né? Apreciar a aridez da paisagem e prosear com o cabloco.

Pedro pergunta ao nhô Raimundo (o caboclo) quem devemos procurar na cidade, que tenha uma história legal pra contar?

O Raimundo diz: “óia seu Pedro, lá pelas banda da cidade tem um cara afamado num sabe! Chamado de Tonho que é dono de uma padaria, a única da região, casado com uma muié que dá um trabáio a ele! O senhor sabe né? Muié nova com home véio num pode prestar. Dizem até que o Tonho pegou a pestilenta com dois forasteiro tráis de casa! Má, espie o home é tão brabo que até contam, né? Num sei se é causo verdadeiro que ele deu uma coça nos tréis e ainda botou os dois caba safado pra trabáia na padaria carregando pão pras fazenda dos rico da cidade e a muié ta mansa que só o senhor vendo!”

Finalmente os boizinhos desbloquearam a estrada de terra batida! Nos despedimos do Raimundo e seguimos caminho. Pedro me pergunta:

“Adélia, o que você achou do causo?” E eu respondo: “Pedrinho até que o causo é bom, mas não temos saúde pra apanhar de cipó de boi e carregar pão pros ricos da fazenda perfazendo 20 km dia” rsrs.

Corta... quase não prestamos atenção a linda chapada a margem da estrada.

agosto 24, 2008

Efeito do Pó de Pirlimpimpim

Partida: Brasil x USA- Vôlei Feminino. De última hora consegui pegar um pouco do pó de pirlimpimpim com a Emília (amiga dos tempos de infância) e me tele transportei para Pequim, mais precisamente para o Ginásio da Capital! Imagina se eu ia deixar as garotas (q ainda não estavam douradas) jogar sozinhas?! Não, nada disso, lembrei muito do jogo contra a Rússia em Atenas: 24 a 19, ainda ressoa na minha cabeça, por que? Por que ganhar é sempre muito bom e o ouro todo mundo quer trazer. Assim como o time do Zé eu fiquei esses 4 anos com aquele jogo atravessado na garganta, mas nesse dia 23 de agosto de 2008 exorcizei os fantasmas, entrei em quadra e a cada cortada das americanas eu dava uma sopradinha no ouvido das brasileiras. Não me lembro de ter secado tanto um time como sequei os USA. Quando a Mari errava um passe, eu falava aos gritos: não tema, vc vai conseguir, vai mostrar quem é que amarela! Minha relação com o vôlei de quadra é bem estranha, tanto as garotas quanto os garotos me emocionam, é o esporte que disparado é o que eu gosto mais, a plástica é perfeita. Delicioso tb foi ver a Maurren torcendo, assistindo, afinal ela desenterrou a cabeça de burro no que diz respeito às mulheres e a Natália então foi realmente uma guerreira, como também as meninas da vela: Fernanda e Isabel. Sofri, mas “fui, vi e venci”. Obrigada e até Londres! Partida: Brasil x USA – Vôlei Masculino. É as vezes o esporte não contraria a lógica como vencer o time mais regular e invicto dos jogos olímpicos?! Mesmo com todo meu pó de pirlimpimpim não deu. Eu sei: eu mesma costumo falar em amarelar, mais o Brasil jogou, talvez não tenha tido a paciência necessária, não tenha lido o jogo direito! Mas não dá pra sair vencendo todo campeonato. Os USA estão por cima agora, mais a equipe da Rússia já fez a renovação dos jogadores, e se mantiverem o rumo certo, vão detonar no próximo ciclo olímpico. O Brasil? Espero que eles retomem o rumo também, ver o Bernardinho chorando e agradecendo a eles foi emocionante, mas perder faz parte. P.s. eu sei que meto o pau vez por outra nos atletas brasileiros, tipo: por que não cortou na diagonal ou saltou com menos intensidade? Parece tão fácil né? É mais não sou atleta, não sofro as criticas e nem as humilhações, só torço. E continuarei sempre na torcida, mesmo que as medalhas não venham, mesmo que os atletas do meu país se apequenem diante dos outros! Uma hora a Glória virá, porque ninguém fica no topo o tempo todo. É só “aprender” a jogar. Que o espírito Olímpico esteja comigo em 2012, até lá!

agosto 12, 2008

Olha a Cabala aí, genteeeeeeee!

Pois é: 08/08/08. Eu não gosto de números pares, muito menos se houver neles conotação cabalística! Supersticiosa? Acho que não, sério! Passo embaixo de escadas se der de cara com um gato preto numa encruzilhada sou capaz de parar e fazer um carinho no bichano, além de inventar um nome carinhoso para ele. Também não implico com cores, como faz o Rei, ou torço por um time de minha predileção sempre com uma mesma peça de roupa (anti-higiênico total). Mas, sinceramente a tal da cabala me cheira a urucubaca e das brabas. Eu uma amante do esporte, seja qual for (até jogo de peteca) vejo dia a dia os atletas brasileiros em Pequim se estabacando num tatame, perdendo jogos para atletas sem expressão, até mesmo o cavalo da seleção de equitação e adestramento foi pro teste e tava bichado, resultado: fora! O ombro do Giba ta meio assim assim, a própria seleção de vôlei ta meio broxa depois das derrotas na Liga Mundial; a natação, meu DEUS, não deu nem pra saída; a Juliana da Larissa não entrou em quadra por conta do joelho e jogou a batata quente pra Ana Paula dar uma manchete perfeita; a seleção de vôlei feminina como sempre dá show, pena, que é só na primeira fase (to apelando agora pra uruca sair e elas vencerem), enfim, poderia ficar discorrendo aqui sobre boa parte do contingente de atletas, mas lembro a vocês que para não atrair a urucubaca para os ginastas e demais “patrícios” , quem sabe algum sortudo imune a cabala de Pequim possa nos dar ainda uma esperança de que aumentarão um pouco as nossas mirradas medalhas de bronze, prata e tomará que as douradas também cheguem!

abril 07, 2008

A Chegada da “Nova” Corte

O Brasil tava a perigo, praticamente suas divisas culturais estavam, quase todas caindo pelo ralo, quando mandaram vir uma rapaziada da pesada, digo uma corte luxuosa, com arranjadores, poetas, músicos, cantores, compositores, enfim, uma galera massa. Onde eles desembarcaram? Bom, como quase tudo culturalmente estabelecido, reflete-se no Rio de Janeiro; foi lá que a Nau chegou! Diz à lenda que a corte chegou, mais ou menos em meados de 1983, sério? É, foi nessa data mesmo, que na minha modesta opinião “apareceu” a melhor VOZ da Corte!No entanto a VOZ só seria conhecida muito tempo depois. Desembarcou da nau uma galera generosa e bem profissional que já vinha rodando as praças culturais há muito tempo e que, na bagagem traziam muito Chorinho, Sambas e Músicas de harmonias sofisticadas. E eu onde estava nessa hora? Provavelmente, ocupadíssima, preparando alguma prova científica para algum aluno desavisado, mas da janela do meu sobrado, vislumbrei as peças raras chegando! Bom, em primeiro plano, eu vislumbrei a mãe de todos: a Rainha Cristina das Holandas e seu irmão, o Príncipe Paulinho com uma linda Viola. E lógico que essa família muito animada, chegou ao lado de seus fidalgos: os Duques Maurício, a Condessa Luciana que logo trataram de encomendar uma linda morada para a filharada da Rainha, uma certa escola para que as crianças pudessem se formar, batizada de Escola Portátil de Música e o estrategista Naval, o Senhor: Paulo César de terras dos Pinheiros, batendo forte no juízo musical dessa gurizada, pronto! Estava estabelecida a era dos arrojos musicais. Claro, não se iludam, eles tiveram muito trabalho depois de aportar por essas terras de Santa Cruz! Os nativos se debatiam em rituais hipnóticos de péssima condição sonora, que aos meus tímpanos, parecia a sucursal do inferno! Eu, que já convivia com essa corte desde muito tempo, (sempre ouvi suas histórias além mar), achava que sempre se podia dar uma forçinha pros proletários inocentes que viviam tão somente de bater cabeça. Mas, ora por outra eu desanimava, era como se ninguém da minha idade ou próxima a ela, gostasse do mesmo gosto que eu. Eu sabia, e sentia a necessidade de gente nova gostando de coisas “velhas”, porém atuais. Mas eu não tinha e nem tenho contato direto com a Corte mais madura, só filosoficamente, o que não bastaria para tanto, trocar idéias quero dizer. Foi então, que os filhos da Rainha Cristina, cresceram e para meu espanto, gostavam das mesmas coisas que eu, e ainda se reuniam para enfeitar as tardes de Domingo, na ilha de Paquetá bem em frente a um Terreiro Grande, além disso, seus filhos começaram a aventurar-se na Terra de Santa Cruz, cantando nas tabernas ou na Praça de São Sebastião. “Seus filhos erravam cegos pelos continentes levavam pedras como penitentes, erguendo estranhas catedrais” daí notei que o ciclo das coisas realmente são verdadeiros. Comecei a prestar a maior atenção em nomes como: Gabriela, Muiza, Manu, Luis, Edu, enfim foram vários filhos da Corte (se vocês sentirem necessidade de se informar mais, favor linkar os spaces, ouvir e descobrir a vontade ;D), e que se modernizaram e se juntaram para dar alívio a essa gente! Novas tecnologias foram aplicadas às técnicas vocais e instrumentais dessa filharada, modernos sistemas de comunicação foram elaborados e com alguns deles podemos até encontrar ecos das nossas angústias e vez por outra trocar idéias, “e eu tão descrente desse mundo, descobri o que é felicidade, meu amor”. Segue abaixo, alguns links para que vocês possam ter a mesma sensação de plenitude e continuidade que eu tenho: Gabriela Buarque: http://www.myspace.com/gabrielabuarque (A VOZ, a partir do momento em que eu a descobri, passou a ser a minha Cantora Favorita) Muiza Adnet: http://www.myspace.com/muizaadnet Manu Santos: http://www.myspace.com/manusantoss Luis Barcelos: http://www.myspace.com/bandolimluisbarcelos Edu Kneip: http://www.myspace.com/edukneip
Escola Portátil de Música: http://www.escolaportatil.com.br/
Terreiro Grande ou uma Reunião de Amigos: http://www.terreiro-grande.blogspot.com

março 20, 2008

“Velharias”

Eu estava assistindo o Sem Censura nesta tarde (20/03/08), era na verdade uma reprise de um programa que eu já havia assistido sobre a Bossa Nova, com convidados que viveram aquela data e deram o ponta-pé inicial dos primeiros acordes, logo depois deles teve uma reprise também, editada, da entrevista da Joyce para o mesmo programa que eu também já havia assistido, mas o que é bom sempre vale a pena revisitar. Só que eu não estava só, na sala me acompanhando estava minha cunhada, se não me engano ela tem seus 19 anos eu acho, ficou boba e fez um comentário pra mim, que logo tratei de opinar. Ela mencionou que como podia as coisas boas ficar tão escondidas do público? E eu lógico fui despejar toda a minha sapiência sobre música popular brasileira: a minha verdadeira paixão! E agora eu vou me atrever a ecoar o que eu penso entre os Ipês e Samambaias e outras estruturas vegetacionais do Meu Jardim. Em primeiro lugar, eu tive a dádiva de nos anos 80, conviver de perto, mesmo em tv aberta com músicos, cantores e compositores que hoje em dia só aparecem na mídia quando tentam saber com quem eles se deitam. Por influência dos primos-irmaõs mais velhos: a Cláudia e o César, sempre fui ligada em Chico, Caetano, Gil, Djavan e lógico que fui além, tipo: Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha, Sambas da Velha Guarda e aí de várias escolas, mesmo sendo eu uma Mangueirense fiel. Chorinho então, eu amo, só vivo de olho em novos compositores e em alguns cantores, sou amiga virtual de alguns e acompanho de mais longe os outros, vivo divulgando na minha página de perfil do orkut, lançamentos com a boa música popular brasileira, seja que gênero for, modéstia a parte sou uma divulgadora da cultura do meu país, sou ligada ao moderno, mas também as manifestações culturais e populares de raiz, que teimam em chamar folclore de forma bem pejorativa. Sou na realidade o que a cantora e “pesquisadora” (ela não gosta desse termo) de Sambas antigos, a Cristina Buarque chama de “pessoas jovens que gostam de velharias”. E realmente sempre fui motivo de ohhhhhhh entre os meus amigos que ao contrário de mim não compartilham da mesma garimpagem que eu faço frente a esses tipos de manifestações culturais, ditas de “bom gosto”. Se for bom gosto ou não eu prefiro deixar para os outros opinarem, mas aviso logo, sempre foi tranqüilo ouvir algum amigo dizer que eu sou ESQUISITA, VELHA E SAUDOSISTA. Mas não tenho nada de saudosista, procuro o novo também, mas o novo que olha para trás e que reconhece que a cultura já falou bem mais alto no nosso país. E devo confessar uma coisa bem estranha realmente: eu converso com os Poetas, Cantores, Compositores da Música Popular Brasileira, com os vivos e os mortos. Louca? Talvez...Eu penso : poxa , o Chico nunca mais compôs um Samba, aí cataplashhh o Chico lança um disco e tem lá um Samba falando coisas singelas que eu imaginei, mas que nunca saberia colocar no papel; ou então, eu penso: ai ai Tom que saudades, será que eu vou achar alguém que cante assim ou assado? e catapleshhhh pesquisando as músicas do Tom, descubro as cantoras novas que são o achado moderno dessa forma de expressar as palavras cantadas. Sou do outro mundo? Não. Vivo do passado? Não, o passado é que me faz olhar pra frente e achar que talvez ainda haja tempo de Educar as gerações vindouras. Uffaaaaa, eu falo demais né? Bom, se não conseguirem entender o texto, não se avexem não, é que tava trancado e de alguma forma, essas palavras arrombaram a porta do calabouço. Beijos musicais a todos.
Chega de Saudade
Composição: Tom Jobim e Vinícius
Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela
Não pode ser, diz-lhe numa prece
Que ela regresse, porque eu não posso
Mais sofrer.
Chega de saudade a realidade
É que sem ela não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai
Mas se ela voltar, se ela voltar,
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca, dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser, milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim.
Não quero mais esse negócio de você longe de mim...

outubro 13, 2007

Paulo...Eterno :)

Saudades grandes vou sentir do Paulo Autran, apesar de nunca ter visto suas peças, mas como alguém já disse não é preciso estar com um gênio para sentir o peso de sua obra. O Paulo era ateu diferente de mim, mas não vou contrariá-lo falando que ele deve ir pro Céu, no entanto o paraíso deve estar a sua espera, e deve ser um paraíso em forma de tablado, com longas e espessas cortinas vermelhas, e com milhares de poltronas confortáveis, onde o Paulo dirá textos que parecerão escritos por ele mesmo...Era o que ele fazia aqui, que Hamlet que nada, que Skaspeare os textos pareciam brotar da boca do ator desvairado que ele era em cena.
Dito isso, entendo agora o choro desesperado da colega Tônia Carreiro, da Fernandona (Montenegro) e do brilhante e emocionado discurso do Jucá de Oliveira, todos rendendo homenagens ao mestre, ao pioneiro, ao abre-alas.
Portanto, feliz de mim conteporânea de uma geração mágica, apesar de mais velha que a minha geração, deram-nos grandes ensinamentos, do acredite, busque e concretize.
O pano baixou Paulo...Para que você continue brilhando lá no paraíso.
Obrigada.

Agradecimentos a Mamma (Cláudia Valéria) pela sugestão do post.