abril 07, 2008

A Chegada da “Nova” Corte

O Brasil tava a perigo, praticamente suas divisas culturais estavam, quase todas caindo pelo ralo, quando mandaram vir uma rapaziada da pesada, digo uma corte luxuosa, com arranjadores, poetas, músicos, cantores, compositores, enfim, uma galera massa. Onde eles desembarcaram? Bom, como quase tudo culturalmente estabelecido, reflete-se no Rio de Janeiro; foi lá que a Nau chegou! Diz à lenda que a corte chegou, mais ou menos em meados de 1983, sério? É, foi nessa data mesmo, que na minha modesta opinião “apareceu” a melhor VOZ da Corte!No entanto a VOZ só seria conhecida muito tempo depois. Desembarcou da nau uma galera generosa e bem profissional que já vinha rodando as praças culturais há muito tempo e que, na bagagem traziam muito Chorinho, Sambas e Músicas de harmonias sofisticadas. E eu onde estava nessa hora? Provavelmente, ocupadíssima, preparando alguma prova científica para algum aluno desavisado, mas da janela do meu sobrado, vislumbrei as peças raras chegando! Bom, em primeiro plano, eu vislumbrei a mãe de todos: a Rainha Cristina das Holandas e seu irmão, o Príncipe Paulinho com uma linda Viola. E lógico que essa família muito animada, chegou ao lado de seus fidalgos: os Duques Maurício, a Condessa Luciana que logo trataram de encomendar uma linda morada para a filharada da Rainha, uma certa escola para que as crianças pudessem se formar, batizada de Escola Portátil de Música e o estrategista Naval, o Senhor: Paulo César de terras dos Pinheiros, batendo forte no juízo musical dessa gurizada, pronto! Estava estabelecida a era dos arrojos musicais. Claro, não se iludam, eles tiveram muito trabalho depois de aportar por essas terras de Santa Cruz! Os nativos se debatiam em rituais hipnóticos de péssima condição sonora, que aos meus tímpanos, parecia a sucursal do inferno! Eu, que já convivia com essa corte desde muito tempo, (sempre ouvi suas histórias além mar), achava que sempre se podia dar uma forçinha pros proletários inocentes que viviam tão somente de bater cabeça. Mas, ora por outra eu desanimava, era como se ninguém da minha idade ou próxima a ela, gostasse do mesmo gosto que eu. Eu sabia, e sentia a necessidade de gente nova gostando de coisas “velhas”, porém atuais. Mas eu não tinha e nem tenho contato direto com a Corte mais madura, só filosoficamente, o que não bastaria para tanto, trocar idéias quero dizer. Foi então, que os filhos da Rainha Cristina, cresceram e para meu espanto, gostavam das mesmas coisas que eu, e ainda se reuniam para enfeitar as tardes de Domingo, na ilha de Paquetá bem em frente a um Terreiro Grande, além disso, seus filhos começaram a aventurar-se na Terra de Santa Cruz, cantando nas tabernas ou na Praça de São Sebastião. “Seus filhos erravam cegos pelos continentes levavam pedras como penitentes, erguendo estranhas catedrais” daí notei que o ciclo das coisas realmente são verdadeiros. Comecei a prestar a maior atenção em nomes como: Gabriela, Muiza, Manu, Luis, Edu, enfim foram vários filhos da Corte (se vocês sentirem necessidade de se informar mais, favor linkar os spaces, ouvir e descobrir a vontade ;D), e que se modernizaram e se juntaram para dar alívio a essa gente! Novas tecnologias foram aplicadas às técnicas vocais e instrumentais dessa filharada, modernos sistemas de comunicação foram elaborados e com alguns deles podemos até encontrar ecos das nossas angústias e vez por outra trocar idéias, “e eu tão descrente desse mundo, descobri o que é felicidade, meu amor”. Segue abaixo, alguns links para que vocês possam ter a mesma sensação de plenitude e continuidade que eu tenho: Gabriela Buarque: http://www.myspace.com/gabrielabuarque (A VOZ, a partir do momento em que eu a descobri, passou a ser a minha Cantora Favorita) Muiza Adnet: http://www.myspace.com/muizaadnet Manu Santos: http://www.myspace.com/manusantoss Luis Barcelos: http://www.myspace.com/bandolimluisbarcelos Edu Kneip: http://www.myspace.com/edukneip
Escola Portátil de Música: http://www.escolaportatil.com.br/
Terreiro Grande ou uma Reunião de Amigos: http://www.terreiro-grande.blogspot.com

abril 05, 2008

Ela :*

Ela sou Eu. Personalidade encantadora, mulher de alma arrebatadora, claro, Ela é de Libra, o padrão de qualidade é sempre garantido. Traço mais marcante, na minha modesta opinião é a curiosidade, que pode ser entendida como a falta de medo, ou melhor, a convivência com ele para desbravar o novo, o obscuro o indecifrável, graças a isso, sua (a dela) vida com certeza daria um bom filme ou ótimo livro de romance. O que mais me encanta, são os textos dela que saboreio com um prazer familiar de bom humor. E confesso que sinto uma “invejinha” de suas irmãs, pois quem hoje em dia é tão apaixonada pela vida que entra no quarto da irmã de forma meteórica para dizer o que se passou durante o dia, ou mesmo pra saber de alguma novidade sentimental? E pensar que essa doce menina-mulher tinha um desejo secreto e provinciano de participar das festas da família, levando um prato típico de alguma receita deixada de legado por algum parente mais velho, que com certeza a promoveria a condição de não mais uma menina-mulher e sim uma mulher de timbre e cores madura. O mais gostoso, no entanto, foi saber de sua conclusão tão singela e melancólica de saber que a porta da frente onde antes Ela e sua trupe de mesma idade dançavam as coreografias da moda, era habitada agora por outra trupe, ensaiando outros passinhos da moda. Doce né? Mais Ela é doce, sempre foi e sempre será. Guardo uma imagem dela bem representativa, uma gravação que assisti. Ela dublando as músicas da moda (acho q era o RPM) com um violão dos tios, mandando ver, quebrando tudo rsrsrs. De um tempinho pra cá, ela ficou Feliz e achei que agora o caso estaria consumado de vez, fizemos planos e depois Ela já não tão feliz assim me secretou certos ocorridos, não só a mim a outras amigas... Por que Ela é assim, nunca fica Feliz sozinha e quando fica Triste, todas ficamos... Clube da Luluzinha? Não, apenas uma sensação de que todas nós somos um pouco Ela. Planos? Não, não desistimos... Apenas adiamos o Maravilhoso!




Ela: Fábia Adriana... A minha Boneca preferida . Amo pra Vida Inteira. Para Aquecer seu Coração.
Sou dela
Nando Reis
Composição: Nando Reis
Esperei por tanto tempo
Esse tempo agora acabou
Demorou mas fez sentido
Fez sentido que chegou
Eu pensei que não fosse nunca
Mas agora já se foi
Nunca mais parece triste
Triste eu era agora passou
Por que eu estou com ela
Sou dela
Sem ela
Não sou
Preciso dela
Só dela
Com ela
Eu vou
Sempre olhei à mim nos outros
Estava em toda a multidão
Sendo muito e tendo pouco
Dando muita explicação
Eu quero olhar para esse mundo
Ver o mundo em seu olhar
Quero ser, te quero muito
Ficar junto e respirar...

março 20, 2008

“Velharias”

Eu estava assistindo o Sem Censura nesta tarde (20/03/08), era na verdade uma reprise de um programa que eu já havia assistido sobre a Bossa Nova, com convidados que viveram aquela data e deram o ponta-pé inicial dos primeiros acordes, logo depois deles teve uma reprise também, editada, da entrevista da Joyce para o mesmo programa que eu também já havia assistido, mas o que é bom sempre vale a pena revisitar. Só que eu não estava só, na sala me acompanhando estava minha cunhada, se não me engano ela tem seus 19 anos eu acho, ficou boba e fez um comentário pra mim, que logo tratei de opinar. Ela mencionou que como podia as coisas boas ficar tão escondidas do público? E eu lógico fui despejar toda a minha sapiência sobre música popular brasileira: a minha verdadeira paixão! E agora eu vou me atrever a ecoar o que eu penso entre os Ipês e Samambaias e outras estruturas vegetacionais do Meu Jardim. Em primeiro lugar, eu tive a dádiva de nos anos 80, conviver de perto, mesmo em tv aberta com músicos, cantores e compositores que hoje em dia só aparecem na mídia quando tentam saber com quem eles se deitam. Por influência dos primos-irmaõs mais velhos: a Cláudia e o César, sempre fui ligada em Chico, Caetano, Gil, Djavan e lógico que fui além, tipo: Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha, Sambas da Velha Guarda e aí de várias escolas, mesmo sendo eu uma Mangueirense fiel. Chorinho então, eu amo, só vivo de olho em novos compositores e em alguns cantores, sou amiga virtual de alguns e acompanho de mais longe os outros, vivo divulgando na minha página de perfil do orkut, lançamentos com a boa música popular brasileira, seja que gênero for, modéstia a parte sou uma divulgadora da cultura do meu país, sou ligada ao moderno, mas também as manifestações culturais e populares de raiz, que teimam em chamar folclore de forma bem pejorativa. Sou na realidade o que a cantora e “pesquisadora” (ela não gosta desse termo) de Sambas antigos, a Cristina Buarque chama de “pessoas jovens que gostam de velharias”. E realmente sempre fui motivo de ohhhhhhh entre os meus amigos que ao contrário de mim não compartilham da mesma garimpagem que eu faço frente a esses tipos de manifestações culturais, ditas de “bom gosto”. Se for bom gosto ou não eu prefiro deixar para os outros opinarem, mas aviso logo, sempre foi tranqüilo ouvir algum amigo dizer que eu sou ESQUISITA, VELHA E SAUDOSISTA. Mas não tenho nada de saudosista, procuro o novo também, mas o novo que olha para trás e que reconhece que a cultura já falou bem mais alto no nosso país. E devo confessar uma coisa bem estranha realmente: eu converso com os Poetas, Cantores, Compositores da Música Popular Brasileira, com os vivos e os mortos. Louca? Talvez...Eu penso : poxa , o Chico nunca mais compôs um Samba, aí cataplashhh o Chico lança um disco e tem lá um Samba falando coisas singelas que eu imaginei, mas que nunca saberia colocar no papel; ou então, eu penso: ai ai Tom que saudades, será que eu vou achar alguém que cante assim ou assado? e catapleshhhh pesquisando as músicas do Tom, descubro as cantoras novas que são o achado moderno dessa forma de expressar as palavras cantadas. Sou do outro mundo? Não. Vivo do passado? Não, o passado é que me faz olhar pra frente e achar que talvez ainda haja tempo de Educar as gerações vindouras. Uffaaaaa, eu falo demais né? Bom, se não conseguirem entender o texto, não se avexem não, é que tava trancado e de alguma forma, essas palavras arrombaram a porta do calabouço. Beijos musicais a todos.
Chega de Saudade
Composição: Tom Jobim e Vinícius
Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela
Não pode ser, diz-lhe numa prece
Que ela regresse, porque eu não posso
Mais sofrer.
Chega de saudade a realidade
É que sem ela não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai
Mas se ela voltar, se ela voltar,
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca, dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser, milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim.
Não quero mais esse negócio de você longe de mim...

março 13, 2008

Coisas de Primas e Carta do Vovô

Texto produzido por Flávia Roberta e Fábia Adriana para enviar ao Vovô Pedro dando ciência dos Blogs da Adélia, da Flávia e da Fábia, para contentar o coração literário do Vovô.
Apresentação Três primas completamente diferentes, em idade e em estilo de vida e de escrita, que através da Internet se encontraram e encontraram as outras, e através da tela do computador se assustaram, se admiraram e se aproximaram mais do que os raros momentos de convivência real permitia. Nos blogs estão as opiniões e impressões do mundo dessas três pessoas que vivem e vêem o mundo de forma diferente, talvez até contrária em alguns casos. Neles estão também aqueles pequenos detalhes que só a intimidade e a leitura de um diário permitem, afinal é exatamente isso que um blog é, um “diário virtual”. Em “Cobra com Asa”, da Flávia, como o próprio subtítulo do blog diz, estão “Pensamentos, reclamações, resmungos e opiniões de uma insatisfeita” sobre futilidades e até coisas sérias, enfim palpites sobre tudo. No “Meu Jardim”, da Adélia, o espanto com os absurdos do mundo atual, o orgulho de ser nordestina e brasileira, a esperança, a vida de professora, o amor por poesia e música, entre muitas outras coisas. Já no “Manual da Boneca”, da Fábia, está literalmente um mundo mais cor-de-rosa, com romance, bom-humor, poesia, música, textos com gosto de infância, de saudade, de expectativa... Tudo com cobertura de qualidade! E pra quem está aí, longe geograficamente, mas pertinho aqui no peito, juntamos um pouquinho de cada uma nesse livrinho, textos novos e velhos, uma amostra dos nossos diários nada secretos. Resposta: Cartinha do Vovô Pedro para a dona do Jardim Adélia, Assim como escrevi a Flávia e a Fábia fazendo referência ao Blog, tomei a iniciativa de fazer o mesmo a você, dando os elogios que você merece. Não precisa me agradecer, como se isto fosse importante, Esqueça. Eu seria um ser altamente privilegiado se, ao meu bel prazer pudesse me transformar em uma minúscula borboleta para ter a condição de adejar as perfumadas flores que seriam produzidas no seu Jardim, por Vossa altesa, e lhes sugar o indelével perfume nelas produzidas pelo sumo e especial desejo de vossa genial pessoa. Recife, 19-2-08 Vovô. P.S. Agora dá para entender um pouco, parte da satisfação de escrever, já que esse ofício reflete diretamente no prazer que nos dá de pessoas conhecidas ou não se divertirem, pensarem, discordarem, esperarem o que sai de nossas cabeças febris. Por isso , escrevo e procuro ler o máximo de pessoas possíveis, por que nós não lemos o objeto livro e sim as pessoas que as escreve. Agradeço ao Vovô, A Flá e a Bi por sempre, de uma forma ou de outra me incentivarem a escrever. Juntas Sempre ;D

fevereiro 29, 2008

Olhos de Polaróides

Aí, aí...o Cinema!!! Adoro um bom roteiro, uma história bem contada, os elencos, adoro atores e atrizes. Pode ser drama, comédia, aventura, suspense, enfim qualquer gênero onde se possa viajar no enredo e se deleitar com as performances dos participantes. No entanto, de todas as representações culturais que eu mais gosto, o cinema não é a primeira, mas aí será falado mais a frente em outro post...o que eu mais gosto quando estréia um filme novo no circuito é saber da opinião da Flavinha (Flávia Roberta), por que ela é bem mais ligada em cinema do que eu, e as críticas que ela faz são de dar inveja a crítico especializado , o que ajuda bastante, aliás, é o fato dela ser Jornalista, e o melhor de tudo, o texto sarcástico e com ótimo humor. Então, como hoje estréia o filme do Falabela, Polaróides Urbanas, espero em breve ler a crítica da Flá, no www.cobracomasa.com . E é claro, vale também para os filmes que já assisti e que só depois ela comenta mais aí eu assisto-os de novo para olhar de acordo com os Olhos de Polaróides que ela tão bem me acostumou. Bjusss Flá, vida longa ao seu Amor pela Sétima Arte ;D

fevereiro 12, 2008

Um Anjo no Meu Jardim

Ela chega todas as manhãs, trazendo seus lápis de cor, e bloquinhos. Senta a sombra de um Ipê e pára um momento pra observar o bailar das Borboletas. Ela aprecia demais as Borboletas, eu que fico de longe olhando, tenho a impressão que é por conta do colorido exuberante. Ela passa horas, desenhando e sorrindo, uma característica, que com certeza deve ter sido herdada da mãe; possui cor de jambo, com certeza dessa vez herdada do pai; os cabelinhos de anjo, no entanto, lembram-me o movimento da vida, tudo cíclico e sinuoso. Sim, ela também herdou do avô, dos pais, da tia e dos primos-tios a verve literária, pois sempre está inventando histórias e fazendo poesias. É ímpar o jeito dela admirar a natureza, parece mesmo que conversa com seus elementos e chega a impressionar, como a natureza a entende e atende. Se ela quer ventania, basta fazer sinais com seus cabelinhos esvoaçante de anjo e, plish o vento chega a formar redemoinhos; se ela quer música, é só fazer hsisr e logo terá uma comitiva de pássaros, gafanhotos e outros bichos para atendê-la. Ela sempre sorri pra mim e acena de longe, mas o mundo dela é tão particular que eu acho melhor retribuir o aceno e soltar um leve beijo, nunca gostaria de atrapalhar um momento tão mágico. No final da tarde, depois de despedir-se daquele mundinho de sonho, ela volta a acenar e sorrir, e faz um movimento com os cabelos, que me faz ter certeza que amanhã, ela voltará como em um sonho. Seu nome? Antônia. Adélia, fazendo planos e esperando a Antônia ;*

janeiro 27, 2008

Roda Gigante

Segunda começa tudo de novo, colégio, aula, apresentações, turmas novas e antigas, primeiras impressões, antipatias, simpatias, apostas, descrença, esperança, um verdadeiro turbilhão de emoções. E eu continuo a me perguntar: por que eu fico com um certo frio na barriga? É a mesma sensação chata de andar na roda gigante, aquele embrulho no estômago. Mais o palco do ator ou do professor é mesmo sagrado, para quem o é, lógico, só para quem tem vocação, sempre pensei nisso, no entanto, só agora tenho a coragem de admitir que é o mesmo ofício, é uma atuação, que apesar da personagem é feito de forma verdadeira. É, acho que segunda, antes de entrar na sala de aula, eu deva gritar MERDA como dizem os atores pra dar sorte e confiança. Espero realmente que a platéia seja entusiasta da grande “loucura” que é se expor diante de pessoas que não te conhecem ou se te conhecem, as vezes te estranham; mas é isso mesmo, as subidas e descidas são o equilíbrio entre os que como eu vão vivendo e se emocionando. Tudo começa e termina em mim.