agosto 19, 2008

Carta ao Mário

Querido primo-cunhado, eu e o Vinícius adoramos as fotos! Assim como me encanta cada vez mais a sua forma de pensar e registrar em papel o que todos sentimos e nunca conseguimos dizer; medo talvez, de sofrer de ficar exposto ao sofrimento das tão faladas dores de amor, mas você pensa primeiro e diz, “ o que deveras sente”! Se bem soubéssemos diríamos “eu te amo” mais vezes ou mesmo, “...E sem nenhuma lembrança das outras vezes perdidas, atiro a rosa do sonho nas tuas mãos distraídas...” Como você gosta de repetir pra mim e pra Fábia, acho que ela foi quem te inspirou em tão belo poema, ela também pensa na frente, realmente vocês são feitos um para o outro! O Vinicius me fala sempre de Roma, na verdade ele força um pouco a barra, pois entende que todos os amantes perfeitos deveriam passar um dia por lá! Mas como você conhece o Vinícius deve saber que ele é muito agregador e me fala sempre de como seria se fossemos em grupo: eu e ele, você e a Fábia, o Bandeira, o Tom e suas caras metade. Bom, não custa sonhar com esses encontros de pura poesia! O Vinicius, eu e a Mariana, mandamos beijos para vocês! Com Amor, Adélia!

agosto 12, 2008

Olha a Cabala aí, genteeeeeeee!

Pois é: 08/08/08. Eu não gosto de números pares, muito menos se houver neles conotação cabalística! Supersticiosa? Acho que não, sério! Passo embaixo de escadas se der de cara com um gato preto numa encruzilhada sou capaz de parar e fazer um carinho no bichano, além de inventar um nome carinhoso para ele. Também não implico com cores, como faz o Rei, ou torço por um time de minha predileção sempre com uma mesma peça de roupa (anti-higiênico total). Mas, sinceramente a tal da cabala me cheira a urucubaca e das brabas. Eu uma amante do esporte, seja qual for (até jogo de peteca) vejo dia a dia os atletas brasileiros em Pequim se estabacando num tatame, perdendo jogos para atletas sem expressão, até mesmo o cavalo da seleção de equitação e adestramento foi pro teste e tava bichado, resultado: fora! O ombro do Giba ta meio assim assim, a própria seleção de vôlei ta meio broxa depois das derrotas na Liga Mundial; a natação, meu DEUS, não deu nem pra saída; a Juliana da Larissa não entrou em quadra por conta do joelho e jogou a batata quente pra Ana Paula dar uma manchete perfeita; a seleção de vôlei feminina como sempre dá show, pena, que é só na primeira fase (to apelando agora pra uruca sair e elas vencerem), enfim, poderia ficar discorrendo aqui sobre boa parte do contingente de atletas, mas lembro a vocês que para não atrair a urucubaca para os ginastas e demais “patrícios” , quem sabe algum sortudo imune a cabala de Pequim possa nos dar ainda uma esperança de que aumentarão um pouco as nossas mirradas medalhas de bronze, prata e tomará que as douradas também cheguem!

julho 29, 2008

Cheirinho de Terra Molhada

Eu estou sempre esperando a Mariana chegar e sentar-se ao meu lado e como quem passa uma carta boa, ela me deixa ver o que de tão belo desenhou na escola...Seus desenhos tem algo de mágico e delicado, o traço suave, as cores fortes. Totalmente diferente da mãe que apresenta uma inclinação fortíssima para os tons pastéis! Mas o encantamento não termina aí, pois observar seus gestos são de um prazer quase imensurável, os cabelos levemente encaracolados, o sorrisão iluminado, a ternura e o cheirinho do abraço bem apertado e do beijo de Borboleta...quase posso ver seus olhos translúcidos de um caramelado que derretem qualquer olhar gélido, me faz ter sempre a certeza de que essa cena , mesmo que corriqueira, terá o frescor de um novo encontro a cada dia. O dom encantador da Mariana foi herdado do Vinicius, que em matéria de encantamentos não me deixa dúvidas de que a vida ao seu lado foi a melhor das decisões. Todos os dias repetimos palavras, gestos, toques que só realçam o tipo de amor que buscamos e que tentamos passar pra doce Mariana. O cotidiano? Sim, ele existe, mas não nos sufoca... Pelo contrário nos deixa mais ternos uns com os outros. O cotidiano, aliás, depende muito do campo de visão e das cores com as quais presenteamos as pessoas que amamos e isso, essa visão, eu devo ao Vinícius... Quando eu acaricio de leve os seus cabelos, sempre recebo um abraço forte, porém delicado, se é que palavras tão opostas podem caminhar juntas com tamanha intensidade e desejo, que, servem muito bem para somar-se a palavra Amor. A Mariana sempre foi tranqüila, mas muito dada às amizades e principalmente as amizades familiares. Uma vez por ano temos de nos juntar aos meus queridos Mário e Fábia e a pequena Lili... A Mariana e a Lili, tem tantos assuntos quanto os meus e da Fábia...Muito boa a sensação de vê-las correndo pelas alamedas do jardim enquanto cai uma leve chuva, deixando exalar um cheirinho de terra molhada e do quanto é bom falar do amor que sentimos e das experiências de nossas pequenas Bonecas...Enquanto o Mário e o Vinícius, relembram nossas últimas férias na casa do Tom e conversam em prosa, e versam, entrelaçando nossas vidas ao cheiro inconfundível das roseiras no quintal. Tom Jobim Olha Está chovendo na roseira Que só dá rosa mas não cheira A frescura das gotas úmidas Que é de Betinho, que é de Paulinho, que é de João Que é de ninguém! Pétalas de rosa carregadas pelo vento Um amor tão puro carregou meu pensamento Olha, um tico-tico mora ao lado E passeando no molhado Adivinhou a primavera Olha, que chuva boa, prazenteira Que vem molhar minha roseira Chuva boa, criadeira Que molha a terra, que enche o rio, que lava o céu Que traz o azul! Olha, o jasmineiro está florido E o riachinho de água esperta Se lança embaixo do rio de águas calmas Ahh, você é de ninguém!

julho 27, 2008

A Rainha e a Torre

Na vida tudo é uma questão de pontos de vista como se estivéssemos num tabuleiro de xadrez, e desde pequenos todas as crianças achavam que a Rainha e a Torre seguiriam juntos na vida, pois foram feitos um para o outro; é bem verdade, que na infância as agressões mútuas ganhavam contornos de comédia pastelão tamanho eram os esforços deles para parecerem tão e tão diferentes....

O tempo passou, cada um seguiu seu rumo, lugares diferentes, amigos diferentes, mas uma verdadeira Torre sempre estará lá para resguardar a Rainha. Não importa nem mesmo se mais uma vez por ação do destino eles parecem tão geograficamente separados, afinal o encanto maior da Torre não é isolar sua Rainha e sim estender a ponte sempre que preciso.

A Rainha e a Torre.

abril 30, 2008

Tempo de Criança

E lá estava eu de frente para a mesa, com minha mãe ou minha tia fazendo tranças, me arrumando para ir à escola e logicamente uma coisa que nunca faltou na minha vida foi Música, naquela fase acho que era a Blitz que tocava direto nas rádios, então tava pronta a minha trilha sonora de ida para a escola.
Dentro da minha lancheira, que não tinha nada dos desenhos ridículos de hoje em dia e que era de um material parecido com napa, eu acho (nunca fui boa para descrever materiais), vasada para abrigar a garrafa que sempre ia com suco ou aqueles refrigerantes caçulinha, vez ou outra, claro, mais sucos. Além de algum lanche saboroso, envolto em uma toalhinha com minhas iniciais bordadas por minha tia (A.P.); e talvez seja da minha lancheira que eu mais lembre, ou melhor, do cheiro dela, até hoje, lembro de coisas subjetivas da minha infância e dos dias atuais!
Segundo diz uma amiga minha, eu não sou capaz de lembrar e descrever nenhum tipo de detalhe físico ou estético de um ambiente ou de uma pessoa, mas se me perguntarem da entonação de como uma pessoa falou, ou do quanto tinha carinho em um gesto, bingo! Eu acerto de primeira, pode passar mil anos, ou seja, segundo minha amiga eu sou a rainha da subjetividade rsrs. Talvez eu seja mais ligada à essência, a minha e a dos outros. Quando chegávamos à escola, lá reuniam todos os alunos no pátio para cantar o Hino Nacional, e isso mexe com outra característica minha, o patriotismo, talvez por isso eu acorde de madrugada para acompanhar os jogos de vôlei (esporte que adoro), esperando muitas vezes ouvir o Hino do país no final do certame, e quando cortam, porque os jogos costumam demorar, isso me deixa irritada; culpa da diretora da escola que fazia a gente cantar todos os dias.

Outra coisa que eu adorava fazer era assistir ao Sítio do Pica-pau amarelo kkkk, não, e o medo da Cuca? Eu sempre fechava os olhos e abria só um pouco pra ver se ela tinha saído da tela; já do Saci eu gostava, assim, como dos outros personagens, além dos meus primos acharem que meu nariz era arrebitado e por esse motivo me apelidaram de Narizinho, claro, eu me achava a tal! Rsrs

Pois é, eu fui uma criança feliz e dou Graças por isso e por lembrar do cheiro da minha lancheira até hoje.

abril 24, 2008

Feliz de Mim

A vida da gente é muito engraçada! Pessoas entram e saem dela de uma maneira peculiar a cada situação vivida, e partindo do raciocínio que algumas delas são vitais e marcam profundamente nossa existência tudo parece bem leve, divertido e com um sentido muito especial, que realmente nos faz ficar e sentir a vida em sua plenitude.

Nesse ponto, eu sempre me senti privilegiada, poucas foram às pessoas “erradas”, ou do meu ponto de vista de relacionar as coisas boas onde nem sempre tem, prefiro pensar que as pessoas “erradas” foram pessoas “certas” durante algum tempo.

Duas dessas pessoas que não se conheceram - por que uma delas já virou estrela e está lá em cima me dando uma forcinha aqui em baixo-, um desses primos-irmãos que a vida me garantiu, quem sabe por eu ser uma boa menina? Parece que sou convencida né? Mas não é o tipo de convencimento que beira a arrogância não, é apenas por que já me disseram que: “meninas boas escrevem diários (no meu caso um virtual) e que as meninas más não tem tempo de escrevê-los”. Portanto, sou realmente uma menina boa, de boa índole; a outra pessoa rara está comigo, no papel principal de minha Mamma, que nesse caso não é a minha mãe biológica e sim, uma que a vida me garantiu, mais uma vez como parcela premiada da qual eu tive direito por bom comportamento.

A minha estrela ou primo-irmão chama-se Cláudio César e me ensinou várias coisas que até hoje utilizo como prerrogativa de felicidade, tipicamente um bom vivant, amante da vida e das boas coisas que eu aprecio: a música, os amigos, o caráter e por aí vai...
A minha mamma chama-se Cláudia Valéria. Bom essa eu adotei ao pé da letra, pois quando eu era criança aqui em casa, sempre me ensinaram que a escola era a segunda casa e que a professora era a segunda mãe. No entanto, só constatei de fato na faculdade, graças a uma ajudinha do destino (se é que ele existe!), e lógico ela fundamentou o que eu já tinha como respaldo de caráter, cooperação, amizade e muito companheirismo e por aí vai.

Por coincidência a Cláudia faz aniversário dia 25 de abril e o Cláudio (q prefiro chamar César) faz aniversário no dia 26 de abril. Com um vivi muito tempo, embora tivesse muito pra viver ainda, mas continuamos juntos só que em planos paralelos; a outra, ta sempre por perto me paparicando, e lógico que eu gosto disso rsrs, afinal ganhei uma outra família, né?

E assim, eu vou vivendo feliz por ter sido escolhida por DEUS, Buda, Jeová, Espíritos de Luz ou seja lá o que for maior que o Universo. E vale plagiar para dizer aos Cláudios que meu mundo com eles é Completo. Feliz de mim.

abril 17, 2008

“Ubuntu”

Esta estranha palavra é uma expressão oriunda da África que demonstra a visão que eles têm do mundo e que significa: “Eu Sou, Porque Tu És”. Mostrando desde sempre a grandeza da alma africana para a comunidade global Talvez essa velha expressão traga um forte ranço da ética grega e dos pensadores modernos, ou seja, não adianta você ser a pessoa mais linda, mais inteligente, ter a melhor casa, a melhor educação sem encontrar o eco de tudo isso nos semelhantes, aliás, Jesus também já pregava essa premissa há um tempão, lembram? A citada expressão vem da África do Sul e é irmã de uma outra expressão, derivada da mesma, mais especificamente da língua materna de Nelson Mandela, (denominado de Ditado Xhosa):
"UBUNTU UNGAMNTU NGANYE ABANTU" "Pessoas são pessoas através de outras pessoas"
Eu, por exemplo, tenho pensado ultimamente nessas expressões como o retrato fiel do que não conseguimos viver no presente, para onde se olhe, o caos se estabelece; crianças planejando assassinato de professor; filhos matando os pais; pessoas baleadas a troco de nada ou de tudo; crianças sendo atiradas de prédios; espancadas por mães adotivas, entre outras tantas atrocidades, que para descontentamento geral e já de longa data encontra seu brado forte também nos dirigentes e gestores dos países, das políticas que deveriam ser voltadas para o público e preferencialmente para a maioria, já que a maior parte dos países do Globo vivem suas falsas Democracias. O que mais ecoa na minha mente é de que em alguma hora se chegará a um meio entre todos os homens, para que quando a situação de um melhore, melhorará a de todos; ou se em casos de injustiças; torturas; ou agressões que ninguém se cale, mostrando que as responsabilidades morais também devem ser divididas. Talvez, desta fonte também tenham bebido os aplicativos da marca Linux que expande seus negócios de banda larga há muito, para democratizar o acesso e a linguagem tecnológica, antes totalmente bloqueada; ou mesmo, os Poetas, quando afirmaram: “É Impossível Ser Feliz Sozinho”. Parece utópico né? Às vezes também sinto essa desesperança em mim e no próximo, característica, quem sabe da nossa vida tão acelerada e sem ideais nítidos!? Mas não sejamos tão injustos com a Esperança e as noções de boa Civilidade; ou mesmo a chama que nos move todos os dias, que ela, a nossa liberdade de pensar no melhor não seja nunca cerceada pela tirania; que a nossa chama nunca se apague, para todos nós: UBUNTU.